sábado, 20 de setembro de 2008

Esporte e política


Os deputados norte americanos estão buscando, através do Comite Olímpico Internacional, cancelar os Jogos Olímpicos de Inverno que até então serão realizados na Rússia em 2014. Nesse sentido, uma resolução foi enviada da Casa dos deputados ao Congresso, e tal documento será destinado ao COI. O motivo dos deputados quererem vetar a organização dos Jogos: a invasão russa à Geórgia.

Nos últimos anos os Estados Unidos foi o país que mais fez investidas bélicas contra outras nações. Nos anos de 1980, fizeram a Guerra do Iraque e a partir do 11 de setembro de 2001 começaram uma série de agressões aos países supostamente envolvidos nos ataques daquela data. Como, agora, enquanto ainda os soldados yanques guerreiam no Iraque, os estadistas americanos fazem uma proposição baseada em fatos que os contradizem evidente e profundamente?

Desde os tempos de Hitler que política e esporte andam lado a lado. Se fossemos considerar os Jogos Olímpicos antigos como a mesma manifestação esportiva hoje presente, poderíamos ir até mais longe nessa história, mas dos Jogos Gregos para o esporte moderno, muitas coisas mudaram. O nazismo usou o esporte para emplacar suas verdades, durante a Guerra Fria os polos opostos também o fizeram e agora, atualizando suas intenções nessa relação entre esporte e política, os EUA lutam para impor seu poder sob outras nações. Engraçado, se a intenção é não permitir que o esporte seja vinculado a nações que desrespeitam direitos humanos, por que não houve nenhuma manifestação formal dos Estados Unidos contra a realização dos Jogos Olímpicos realizados na China, país que não permite sequer que a comunidade internacional acesse seus dados relativos aos direitos humanos?

O esporte jamais será uma manifestação desvinculada da política, pois a organização do mundo capitalista pressupõe a competição e o esporte é a forma espetacularizada, acessível a qualquer comunidade, dos ideais capitalistas. E como vencer significa passar por cima do desejo do outro, dos esforços de outro, como querer que o esporte seja expressão positiva do ser humano?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Eleições




Nossa, como é interessante, de quatro em quatro anos aparecem milhares de pessoas com intenções melhores do que as de Gandhi, Jesus, Budha, Madre Tereza de Calcutá, entre outros seres humanos atualmente ultrapassados no quesito compaixão. Todos dizem que irão melhorar sua vida aumentando seu salário, diminuindo seus impostos, investindo mais em educação e saúde, oferecendo mais empregos, reformando ruas e praças etcetera e tal e tal e tal. Essas mesmas pessoas que prometem todos esses caminhos para o paraíso, talvez sejam muito ocupadas durante os quatro anos que separam uma eleição da outra; apesar de que posso estar blasfemando, já que alguns desses santos homens predispõem-se a doar-se ao próximo a cada dois anos.

O que será que fazem os candidatos a algum cargo político antes das eleições? Será que eles estudam a situação da cidade que querem administrar? Conversam com os cidadãos para saber sobre suas necessidades e assim planejar melhor seu plano de mandato? Ou será que eles só ficam estudando o que vão falar para a gente na época dos comícios e propagandas eleitorais de tv?

Querer o poder é uma coisa realmente estranha. Já temos tantos compromissos, mas por que alguns querem ter a responsabilidade de levar adiante todo um aparato burocrático administrativo que determina a vida de milhares de pessoas? O que leva uma pessoa a almejar o poder? Que poder é esse oferecido pela posse de uma máquina estatal? Por que nos submetemos a esse poder, muitas vezes sem nem questionar o que se passa depois de termos eleito nossos candidatos? Você já foi alguma vez na Câmara de Vereadores de sua cidade? Você sabe o que faz um vereador?

Que bom se todos nossos políticos tivessem o mesmo problema com a mentira que o Pinochio...

Estou no mundo dos blogs

Há muito tempo que venho querendo escrever coisas sobre diferentes coisas. E há muito tempo que tenho resistência para isso, também. É um medo de me mostrar, de me sentir invadido, de me expor, de espetacularizar minha vida. Mas a vontade, a necessidade de colocar no mundo as minhas impressões, têm sido maiores do que essa auto-opressão, que certamente me impede de entender-me mais profundamente e pensar o mundo de maneira mais clara. Viver a vida escondendo as pedras que se encontra no caminho, talvez seja o mesmo que carregá-las pelo resto da estrada, não conseguindo assim ir muito longe, visto que o peso acaba esmagando o carregador. Carlos Drummond de Andrade certamente livrou-se de várias pedras ao trazer ao mundo seu No Meio do Caminho.

Pedras a menos a todos!