Zumbizar
Essa vida dessas pessoas que não sabem olhar para suas próprias vidas e ficam olhando pras vidas daqueles que sabem ver suas vidas olham e julgam de acordo com suas pobrezas de espírito que não consegue ver nem que não têm uma vida que têm só a representação de uma vida alheia naquilo que era para ser sua própria vida não têm vida morreram quando esqueceram de renascer Zumbizam.
2007
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Volta ao lar
Volta ao lar
O estudante que acaba de chegar à universidade
sente-se como as garças que voltam ao
seu lar no final da tarde.
Dizem do instinto que elas
têm para fazer isso. Mas
será que não é o afeto
que têm uma pela outra
que faz essa linda revoada?
Dizem do afeto que temos
para explicar as saudades de nosso
Lar.
Será que nisso o
Instinto
não tem mais espaço?
E elas ficam todas
Juntinhas
esperando a hora de dormir,
descansar em paz: tranquilidade.
E nós ficamos buscando explicações
para a volta ao lar: neuroticidade.
19/04/2004
O estudante que acaba de chegar à universidade
sente-se como as garças que voltam ao
seu lar no final da tarde.
Dizem do instinto que elas
têm para fazer isso. Mas
será que não é o afeto
que têm uma pela outra
que faz essa linda revoada?
Dizem do afeto que temos
para explicar as saudades de nosso
Lar.
Será que nisso o
Instinto
não tem mais espaço?
E elas ficam todas
Juntinhas
esperando a hora de dormir,
descansar em paz: tranquilidade.
E nós ficamos buscando explicações
para a volta ao lar: neuroticidade.
19/04/2004
Viva
Viva
O que vê de onde está?
Lê pensamentos, sabe o que de ser há?
Às vezes lhe procuro,
No mais das vezes me acha;
Não importando se é escuro
Ou se queima uma aixa.
Claro que vê tudo,
Sou mesmo um cabeçudo!
Quem sou eu pra achar-lhe assim uma bobinha?
Continuas muito viva, Therezinha!
23/07/06
O que vê de onde está?
Lê pensamentos, sabe o que de ser há?
Às vezes lhe procuro,
No mais das vezes me acha;
Não importando se é escuro
Ou se queima uma aixa.
Claro que vê tudo,
Sou mesmo um cabeçudo!
Quem sou eu pra achar-lhe assim uma bobinha?
Continuas muito viva, Therezinha!
23/07/06
Viagens de bicicleta
A bicicleta me leva para lugares
Nunca antes navegados!
Vou a fazendas,
Estradas carregadas de gases mortais,
Casa de amigos queridos...
Até a hospitais ela já me levou!
Mas a viagem que mais
Gosto de fazer com minha magrela,
É para dentro de mim, mesmo
E para a alma daqueles que vão
Pedalar comigo.
11/2008
Vai e vem da vida
Tons da vida
Tons da vida
A vida não é pra ser vivida em etapas
Ela é uma coisa só
Quando algo a quebra
Quebra-se a estrutura poética da vida
E tudo se torna uma colagem distoante
Para não cair nessa armadilha
Deve-se sentir os tons da vida
E ignorar aqueles que teimam em formar
Os algos-estranhos-à-alma
Que são os elementos distoantes do viver
A vida não é pra ser vivida em etapas
Ela é uma coisa só
Quando algo a quebra
Quebra-se a estrutura poética da vida
E tudo se torna uma colagem distoante
Para não cair nessa armadilha
Deve-se sentir os tons da vida
E ignorar aqueles que teimam em formar
Os algos-estranhos-à-alma
Que são os elementos distoantes do viver
MW
MW
Os gestos amalgamaram-se tanto
Que os corpos interpenetraram-se
Os sorrisos sorriram tão brilhantes
Que as bocas tocaram-se levemente
E os olhares entrelaçaram-se tanto
Que as almas já eram alma
Mas o que realmente havia em minha frente era um espelho
E não uma pessoa.
(Verão de 2008)
Os gestos amalgamaram-se tanto
Que os corpos interpenetraram-se
Os sorrisos sorriram tão brilhantes
Que as bocas tocaram-se levemente
E os olhares entrelaçaram-se tanto
Que as almas já eram alma
Mas o que realmente havia em minha frente era um espelho
E não uma pessoa.
(Verão de 2008)
Sonho primaveril ou vida invernal
Sonho primaveril ou vida invernal
Como ainda sinto sua falta, minha querida
Sinto seu olhar ainda em mim
Sua voz no som que ouço
Seu corpo na pele do meu
A completude de nossos beijos
Ainda se fecha ao apagarem-se as
Luzes do quarto
E o nosso sexo retoma todo o
Nosso amor quando corro atrás
Dos momentos mais intensos dos dias que
Passamos juntos
Lembrar de você é morrer por dentro
É não ver mais nada além
Do que poderia ser o agora com você
E quando acordo entoado por sonhos primaveris
Vejo que a flor que mais venero já está morta
Enterrada num passado que meus arados internos
Não cansam de revolver
E aí noto que vivo invernado porque
Não entendo que as estações mudam
02/03/2008
Como ainda sinto sua falta, minha querida
Sinto seu olhar ainda em mim
Sua voz no som que ouço
Seu corpo na pele do meu
A completude de nossos beijos
Ainda se fecha ao apagarem-se as
Luzes do quarto
E o nosso sexo retoma todo o
Nosso amor quando corro atrás
Dos momentos mais intensos dos dias que
Passamos juntos
Lembrar de você é morrer por dentro
É não ver mais nada além
Do que poderia ser o agora com você
E quando acordo entoado por sonhos primaveris
Vejo que a flor que mais venero já está morta
Enterrada num passado que meus arados internos
Não cansam de revolver
E aí noto que vivo invernado porque
Não entendo que as estações mudam
02/03/2008
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Poesias,
Sonho primaveril ou vida invernal
Sobre prazer e contemplação
Sobre prazer e contemplação
A felicidade é algo que pode ser passageiro
Ou que pode ser permanente
Basta que saibamos que ela não existe.
O que existem são momentos de maior
Ou menor prazer
A felicidade, mesmo, enquanto ente que domina
A alma do ser humano,
Não existe.
Confundiu-se felicidade com
Contemplação
E então todos ficam em busca desesperada pelo
Prazer;
Esse destino que pode ser atingido
Através de diferentes estradas...
Agora, contemplação, para tê-la,
Tem-se que simplesmente ser,
E esse é o grande X da questão.
A felicidade é algo que pode ser passageiro
Ou que pode ser permanente
Basta que saibamos que ela não existe.
O que existem são momentos de maior
Ou menor prazer
A felicidade, mesmo, enquanto ente que domina
A alma do ser humano,
Não existe.
Confundiu-se felicidade com
Contemplação
E então todos ficam em busca desesperada pelo
Prazer;
Esse destino que pode ser atingido
Através de diferentes estradas...
Agora, contemplação, para tê-la,
Tem-se que simplesmente ser,
E esse é o grande X da questão.
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Sobre prazer e contemplação
Sem nome
Sem nome
Os motivos de um amor talvez não sejam explicáveis
Explica-los talvez não seja tarefa necessária
Sinto-me hoje apaixonado por uma pessoa que não conheço
O que será ela?
Seremos juntos um dia alguma coisa?
Um olhar, um sorriso
Motivo para dias de reflexão
Suposições sobre o desconhecido tão próximo
O tempo à frente certamente reserva mistérios
Não sei quais são
Às vezes, na maioria delas ultimamente, vejo tristeza
Mas a presença do ser desconhecido e motivador de paixão revela um possível futuro de alegria
Leveza impossível nos dias que agora transcorrem
Como uma pessoa que não tem a menor relação comigo consegue dar-me a esperança da vitalidade?
Aqui já começaria a tentar responder algo que talvez não precise e nem tenha resposta
O que sei é que tenho que sentir o que vivo
Pois estou vivo e quero viver
Às vezes penso na fuga suprema
Desisto da continuação dolorida e trabalhosa
Mas o diálogo com outros espíritos reabre em mim alguns portais de sensibilidade positiva para minha percepção própria e do mundo
Os motivos de um amor talvez não sejam explicáveis
Explica-los talvez não seja tarefa necessária
Sinto-me hoje apaixonado por uma pessoa que não conheço
O que será ela?
Seremos juntos um dia alguma coisa?
Um olhar, um sorriso
Motivo para dias de reflexão
Suposições sobre o desconhecido tão próximo
O tempo à frente certamente reserva mistérios
Não sei quais são
Às vezes, na maioria delas ultimamente, vejo tristeza
Mas a presença do ser desconhecido e motivador de paixão revela um possível futuro de alegria
Leveza impossível nos dias que agora transcorrem
Como uma pessoa que não tem a menor relação comigo consegue dar-me a esperança da vitalidade?
Aqui já começaria a tentar responder algo que talvez não precise e nem tenha resposta
O que sei é que tenho que sentir o que vivo
Pois estou vivo e quero viver
Às vezes penso na fuga suprema
Desisto da continuação dolorida e trabalhosa
Mas o diálogo com outros espíritos reabre em mim alguns portais de sensibilidade positiva para minha percepção própria e do mundo
Rumo à luz
Rumo à luz
Nos cubículos da existência
Vão aparecendo brechas de luz
Para sair da escuridão abissal.
Acreditar na luz que cura
Talvez seja o maior desafio;
Acreditar e praticar a iluminação.
Se todos soubermos da importância
E maneira nos iluminarmos,
O sofrimento cessaria de vez
Nesse globo colorido.
27/10/2007
Nos cubículos da existência
Vão aparecendo brechas de luz
Para sair da escuridão abissal.
Acreditar na luz que cura
Talvez seja o maior desafio;
Acreditar e praticar a iluminação.
Se todos soubermos da importância
E maneira nos iluminarmos,
O sofrimento cessaria de vez
Nesse globo colorido.
27/10/2007
Rodoviária
Rodoviária
Quão pouca gente há nesse lugar lotado.
Todos são potencialidades de humanidade.
Vão, voltam, tornam a ir; para onde?
Não sei.
Mas vejo.
Vão para os guichês,
Vão para as lanchonetes,
Para o telefone.
Mas continuo não vendo para onde vão.
Desço as escadas.
Mais gente, muita fumaça.
Ônibus ligados.
Destino: vários, vejo.
Mas continuo a não saber para onde vão.
E o pior, acho que também não são,
Foram feitos;
Não tenho certeza,
Mas vejo.
03/02/2007
Quão pouca gente há nesse lugar lotado.
Todos são potencialidades de humanidade.
Vão, voltam, tornam a ir; para onde?
Não sei.
Mas vejo.
Vão para os guichês,
Vão para as lanchonetes,
Para o telefone.
Mas continuo não vendo para onde vão.
Desço as escadas.
Mais gente, muita fumaça.
Ônibus ligados.
Destino: vários, vejo.
Mas continuo a não saber para onde vão.
E o pior, acho que também não são,
Foram feitos;
Não tenho certeza,
Mas vejo.
03/02/2007
Reunar
Reunar
Passageiro da classe popular
Às vezes calado, às vezes berrando.
Sou pessoa, sou humano.
Aquilo que a muitos entristece ou alucina,
A mim humaniza e dá sentido.
Negar o negativo e
Afirmar o positivo
Talvez seja um dos piores enganos do ser que se diz humano.
Colocando os dois extremos na mesma massa,
Não negando um,
Nem afirmando outro,
Faz-se o realmente humano:
Refém hoje da descuidada Pandora.
Cabe a nós todos, agora, encher
Novamente aquela caixa.
Quando ela estiver abarrotada,
Não só o ser humano será humano,
Também o mundo todo o será...
Mas aí talvez já não caiba mais
O ser humano.
11/2007
Passageiro da classe popular
Às vezes calado, às vezes berrando.
Sou pessoa, sou humano.
Aquilo que a muitos entristece ou alucina,
A mim humaniza e dá sentido.
Negar o negativo e
Afirmar o positivo
Talvez seja um dos piores enganos do ser que se diz humano.
Colocando os dois extremos na mesma massa,
Não negando um,
Nem afirmando outro,
Faz-se o realmente humano:
Refém hoje da descuidada Pandora.
Cabe a nós todos, agora, encher
Novamente aquela caixa.
Quando ela estiver abarrotada,
Não só o ser humano será humano,
Também o mundo todo o será...
Mas aí talvez já não caiba mais
O ser humano.
11/2007
Latente
Latente
Vivo com uma dor latente
Que às vezes sinto e às vezes sente
Como se fosse uma onda que se formasse
No meio do oceano e se quebrasse nas
Paredes do rochedo de minha consciência
Essa dor tem nome
Tem data de nascimento
Mora no mesmo endereço que eu
E toma vida à medida que
Eu sobrevivo
É uma dor que se esconde
Que não quer se mostrar pela vergonha
Que seu dono tem por carregá-la por tanto tempo
E por esconder-se não vem ao mundo
Não se resolve e não permite que
A vida continue a viver naquele que a criou.
Vivo com uma dor latente
Que às vezes sinto e às vezes sente
Como se fosse uma onda que se formasse
No meio do oceano e se quebrasse nas
Paredes do rochedo de minha consciência
Essa dor tem nome
Tem data de nascimento
Mora no mesmo endereço que eu
E toma vida à medida que
Eu sobrevivo
É uma dor que se esconde
Que não quer se mostrar pela vergonha
Que seu dono tem por carregá-la por tanto tempo
E por esconder-se não vem ao mundo
Não se resolve e não permite que
A vida continue a viver naquele que a criou.
O disco da vida
O Disco da Vida
Minha vida é uma desordem.
Não tenho hora pra nada.
Nem início de jornada.
Nos dias em que acordo vivo,
Perco-me no medo de morrer.
E quando amanheço morto,
Assim fico até reviver.
Têm-me contado os dias,
Que não aguentarei por mais muito tempo,
Mas isso é só especulação de mau momento.
Se aos meus ópios continuar apelando,
Mai dias viverei cantando,
Mesmo que a melodia seja ora rock ora valsa
Impregnado de nuvens densas
Que insistem em passar,
Mostrando-me assim,
Que o disco não pode parar de girar.
13/03/2008
Minha vida é uma desordem.
Não tenho hora pra nada.
Nem início de jornada.
Nos dias em que acordo vivo,
Perco-me no medo de morrer.
E quando amanheço morto,
Assim fico até reviver.
Têm-me contado os dias,
Que não aguentarei por mais muito tempo,
Mas isso é só especulação de mau momento.
Se aos meus ópios continuar apelando,
Mai dias viverei cantando,
Mesmo que a melodia seja ora rock ora valsa
Impregnado de nuvens densas
Que insistem em passar,
Mostrando-me assim,
Que o disco não pode parar de girar.
13/03/2008
Linhas minhas
Linhas Minhas
Querendo ou não
O mundo entra nos recônditos de meu ser,
Passeia por entre eles,
Cria novas ruas, paisagens, armas.
Essas novidades vão se fazendo,
Me reescrevendo,
Tornando-me um novo texto,
Cheio de emendas desconexas e
Erros de pontuação...
Cheio de emendas desconexas
Erros de pontuação
Quando alguma coisa indigesta
Entala no sistema que digere o mundo,
Subitamente faz-se em mim um espasmo,
Um soluço ao contrário,
Que vira ao avesso as páginas que em mim redigiram.
Turvadas pela bile anímica
As palavras excretadas
Confundem-se umas com as outras
Na claridade do mundo,
E o tempo precisa ser recronometrado
Para caber nele o meu tempo
De leitura minha.
Letras, palavras, frases...texto quase pronto,
Caneta em punho,
Papel na mesa...
E minha esfinge diária começa a ser decifrada.
Linhas vão-se compondo,
Decodifica-se o estranho torvelinho de
Sensações, Sentimentos, Conclusões...
E ao final forma-se isto,
Este emaranhado de idéias
Que só quem vive num mundo parecido ao meu
Atreve-se a dizer que entendeu!
03/01/2007
Querendo ou não
O mundo entra nos recônditos de meu ser,
Passeia por entre eles,
Cria novas ruas, paisagens, armas.
Essas novidades vão se fazendo,
Me reescrevendo,
Tornando-me um novo texto,
Cheio de emendas desconexas e
Erros de pontuação...
Cheio de emendas desconexas
Erros de pontuação
Quando alguma coisa indigesta
Entala no sistema que digere o mundo,
Subitamente faz-se em mim um espasmo,
Um soluço ao contrário,
Que vira ao avesso as páginas que em mim redigiram.
Turvadas pela bile anímica
As palavras excretadas
Confundem-se umas com as outras
Na claridade do mundo,
E o tempo precisa ser recronometrado
Para caber nele o meu tempo
De leitura minha.
Letras, palavras, frases...texto quase pronto,
Caneta em punho,
Papel na mesa...
E minha esfinge diária começa a ser decifrada.
Linhas vão-se compondo,
Decodifica-se o estranho torvelinho de
Sensações, Sentimentos, Conclusões...
E ao final forma-se isto,
Este emaranhado de idéias
Que só quem vive num mundo parecido ao meu
Atreve-se a dizer que entendeu!
03/01/2007
Leitor incondicional
Leitor incondicional
Queria viver de poesia:
Livros, letras, peças...
Riscar aquilo que acho relevante
E ainda ter o meu sustento.
Mas assim, com esses rabiscos,
Só meus cadernos me aceitam.
E ainda não sei até quando!
Vais permitir-me agredí-lo ainda?
23/07/2006
Queria viver de poesia:
Livros, letras, peças...
Riscar aquilo que acho relevante
E ainda ter o meu sustento.
Mas assim, com esses rabiscos,
Só meus cadernos me aceitam.
E ainda não sei até quando!
Vais permitir-me agredí-lo ainda?
23/07/2006
Fluxo
Fluxo
Eras um rio sem quedas, sem curvas.
As margens coloriam-te ao teu passar,
O inverno era quente diante do frio externo.
Eras caudaloso,
Tornava-te um só ao encontro de teus pares.
Cavaram-te, cavou-te,
Curvas surgiram, quedas também.
Como eras água, modelou-te ao imposto;
Não tinhas escolha.
A aurora veio,
O ouro também!
Áurea hora tomou-te o corpo,
Consciência e força também.
As curvas e quedas vias que fazias,
E agora brincavas, entravas nos vales mais vis
E saias pedindo bis.
Enganou-te.
Tornou-te alagado por um tempo.
Tua amplidão era sem fim.
De tão raso, em teu fundo a luz deitava;
De tão largo, noite e dia em ti se encontravam,
Buscavas tudo, todos, nada te bastava.
Ah, meu caro,
‘Inda bem que viste a enrascada que entravas.
O mundo quiseste ganhar,
Mas teus braços inda n’eram mar!
Tormentas violentas,
Águas rolando das encostas,
Paradoxal situação está imposta!
Remove-se teu fundo,
Cresce teu leito,
Volume ganhas,
O caminho agora vem de tuas entranhas!
Quebras rocha, ganhas altura,
Olha de cima e pula quando queres!
A queda agora és linda,
Tu olhas de cima feito a imponente luz
Nem te incomodas se é baixinha ou Iguaçu.
Desces a serra,
Vê já o quanto derramou-te
Sente-te um tolo,
Vês o tempo que passou-te desde o primeiro luar.
No chronus esquece o extenso
E não vês que já és mar.
2007
Eras um rio sem quedas, sem curvas.
As margens coloriam-te ao teu passar,
O inverno era quente diante do frio externo.
Eras caudaloso,
Tornava-te um só ao encontro de teus pares.
Cavaram-te, cavou-te,
Curvas surgiram, quedas também.
Como eras água, modelou-te ao imposto;
Não tinhas escolha.
A aurora veio,
O ouro também!
Áurea hora tomou-te o corpo,
Consciência e força também.
As curvas e quedas vias que fazias,
E agora brincavas, entravas nos vales mais vis
E saias pedindo bis.
Enganou-te.
Tornou-te alagado por um tempo.
Tua amplidão era sem fim.
De tão raso, em teu fundo a luz deitava;
De tão largo, noite e dia em ti se encontravam,
Buscavas tudo, todos, nada te bastava.
Ah, meu caro,
‘Inda bem que viste a enrascada que entravas.
O mundo quiseste ganhar,
Mas teus braços inda n’eram mar!
Tormentas violentas,
Águas rolando das encostas,
Paradoxal situação está imposta!
Remove-se teu fundo,
Cresce teu leito,
Volume ganhas,
O caminho agora vem de tuas entranhas!
Quebras rocha, ganhas altura,
Olha de cima e pula quando queres!
A queda agora és linda,
Tu olhas de cima feito a imponente luz
Nem te incomodas se é baixinha ou Iguaçu.
Desces a serra,
Vê já o quanto derramou-te
Sente-te um tolo,
Vês o tempo que passou-te desde o primeiro luar.
No chronus esquece o extenso
E não vês que já és mar.
2007
Fingindo e sobrepondo o irreal sobre o falso
Fingindo e Sobrepondo o irreal sobre o falso
É mentira!
Essas luzes, esse som, esses copos sendo brindados.
É mentira!
Essas luzes, esses belos corpos, essa embriagues.
São todos artifícios criados
Para nos aproximarmos sem jamais nos conhecermos.
Ela? Não conheço, mas já vi.
Ela? Não vi, mas parece que já conheço.
Não.
Nem vi, nem conheço.
Sorrisos, abraços, beijinhos.
Mesas próximas, mas ilhadas.
A impressão de estar entre amigos é real.
Mas a realidade é uma impressão hipervalorizada,
É uma mistura de fingimento e colagens de mentiras sobre mentiras.
Não conheço ninguém além da minha mesa,
São todos estranhos, mas são eles que emprestam
Seus corpos, vozes e cheiros pra eu me sentir como estou,
Rodeado por um mundo agradável
E nem percebo que tudo que ali está,
No bar todo,
É o simulacro de uma realidade.
11/2006
É mentira!
Essas luzes, esse som, esses copos sendo brindados.
É mentira!
Essas luzes, esses belos corpos, essa embriagues.
São todos artifícios criados
Para nos aproximarmos sem jamais nos conhecermos.
Ela? Não conheço, mas já vi.
Ela? Não vi, mas parece que já conheço.
Não.
Nem vi, nem conheço.
Sorrisos, abraços, beijinhos.
Mesas próximas, mas ilhadas.
A impressão de estar entre amigos é real.
Mas a realidade é uma impressão hipervalorizada,
É uma mistura de fingimento e colagens de mentiras sobre mentiras.
Não conheço ninguém além da minha mesa,
São todos estranhos, mas são eles que emprestam
Seus corpos, vozes e cheiros pra eu me sentir como estou,
Rodeado por um mundo agradável
E nem percebo que tudo que ali está,
No bar todo,
É o simulacro de uma realidade.
11/2006
Marcadores:
Fingindo e sobrepondo o irreal sobre o falso,
Poesias
O espelho furado
O espelho furado
No despero de se encontrar
Vai na direção do outro
Mas não acha o outro
Muito menos a si mesmo
08/11/2008
No despero de se encontrar
Vai na direção do outro
Mas não acha o outro
Muito menos a si mesmo
08/11/2008
Encanto forjado
Encanto forjado
Aquele reflexo!
Bem que poderia ser o do farol
de um navio: o espasmo da
vida vindo pela onda!
Mas não é.
É apenas a luz de um poste
de uma rua movimentada, refletindo
na água podre de um lago triste.
Aquele reflexo!
Bem que poderia ser o do farol
de um navio: o espasmo da
vida vindo pela onda!
Mas não é.
É apenas a luz de um poste
de uma rua movimentada, refletindo
na água podre de um lago triste.
Encanto forjado
Encanto forjado
Aquele reflexo!
Bem que poderia ser o do farol
de um navio: o espasmo da
vida vindo pela onda!
Mas não é.
É apenas a luz de um poste
de uma rua movimentada, refletindo
na água podre de um lago triste.
Aquele reflexo!
Bem que poderia ser o do farol
de um navio: o espasmo da
vida vindo pela onda!
Mas não é.
É apenas a luz de um poste
de uma rua movimentada, refletindo
na água podre de um lago triste.
Encanto forjado
Encanto forjado
Aquele reflexo!
Bem que poderia ser o do farol
de um navio: o espasmo da
vida vindo pela onda!
Mas não é.
É apenas a luz de um poste
de uma rua movimentada, refletindo
na água podre de um lago triste.
Aquele reflexo!
Bem que poderia ser o do farol
de um navio: o espasmo da
vida vindo pela onda!
Mas não é.
É apenas a luz de um poste
de uma rua movimentada, refletindo
na água podre de um lago triste.
Emplastros da vida
Emplastros da vida
Esse sono
Essa moleza
Essa indisposição
Isso vai embora
Isso não é meu
É do que engulo à noite
É o que tem me ajudado
A sentir-me bem
É parte do que sou
É coisa boa
Mas me leva a vida às vezes
E me leva à vida às vezes.
17/11/2008
Esse sono
Essa moleza
Essa indisposição
Isso vai embora
Isso não é meu
É do que engulo à noite
É o que tem me ajudado
A sentir-me bem
É parte do que sou
É coisa boa
Mas me leva a vida às vezes
E me leva à vida às vezes.
17/11/2008
Desligado
Desligado
Chegou em casa,
No quarto, pulsou pra destruir o guarda-roupas,
Um já tinha ido.
Não apanhou, não perdeu namorada, tem o que comer.
O que lhe estorva é o monte,
O monte de coisas que tem que fazer.
De tanto fazer não sabe mais o que faz,
Não percebe porque faz.
Só sabe que faz;
Sabe?
Viver pra fora é o viver bonito,
O viver que leva à fama, ao elogio,
Ao aplauso daqueles que mesmo sem saber seu nome,
Dão sentido à sua vida.
Vive desligado do mundo,
Triste e envergonhado por não conseguir ser o que quer,
Por não ter capacidade para tentar mudar o que acha errado;
Humilhado pela consciência crítica que desenvolveu na faculdade
E que agora só lhe serve pra ajudar a perceber o que mudará no mercado;
Passaporte para sua promoção na empresa!
Foi promovido!
Promovido à negador da vida!
Nega o tempo, nega o outro, nega a si mesmo.
Só não nega a necessidade de ser um negador da realidade.
Porque é essa negação que o faz achar que vive ligado ao mundo,
Do qual já se desligou desde sua gestação,
Quando seu pai e sua mãe nem sabiam,
Mas já não eram eles próprios,
Eram o ato inspirado pelas cenas de amor que tanto lhes comoviam nas sessões de matinê.
Chegou em casa,
No quarto, pulsou pra destruir o guarda-roupas,
Um já tinha ido.
Não apanhou, não perdeu namorada, tem o que comer.
O que lhe estorva é o monte,
O monte de coisas que tem que fazer.
De tanto fazer não sabe mais o que faz,
Não percebe porque faz.
Só sabe que faz;
Sabe?
Viver pra fora é o viver bonito,
O viver que leva à fama, ao elogio,
Ao aplauso daqueles que mesmo sem saber seu nome,
Dão sentido à sua vida.
Vive desligado do mundo,
Triste e envergonhado por não conseguir ser o que quer,
Por não ter capacidade para tentar mudar o que acha errado;
Humilhado pela consciência crítica que desenvolveu na faculdade
E que agora só lhe serve pra ajudar a perceber o que mudará no mercado;
Passaporte para sua promoção na empresa!
Foi promovido!
Promovido à negador da vida!
Nega o tempo, nega o outro, nega a si mesmo.
Só não nega a necessidade de ser um negador da realidade.
Porque é essa negação que o faz achar que vive ligado ao mundo,
Do qual já se desligou desde sua gestação,
Quando seu pai e sua mãe nem sabiam,
Mas já não eram eles próprios,
Eram o ato inspirado pelas cenas de amor que tanto lhes comoviam nas sessões de matinê.
Desimpressões
Desimpressões
A impressão é de que estou longe
De onde estou, mas esse longe não
É lugar algum, é um hermo,
Um deserto de sentimentos e sensações.
Sou arredio a qualquer relação que
Se possa formar. Desconfio, vejo os defeitos,
Crio os males,
desimpresso o positivo que estava ali expresso.
12/11/2007
A impressão é de que estou longe
De onde estou, mas esse longe não
É lugar algum, é um hermo,
Um deserto de sentimentos e sensações.
Sou arredio a qualquer relação que
Se possa formar. Desconfio, vejo os defeitos,
Crio os males,
desimpresso o positivo que estava ali expresso.
12/11/2007
Da alma à pena
Da alma à pena
Buscando a fala que não se cala
Mas não se mostra
Querendo entender a ânsia
Que vem de longe
Talvez da infância.
Só sei que a mão destra clama,
Chama e busca o sentido em qualquer brisa
Trazendo do etéreo pra folha lisa
O movimento que no mundo a alma realiza.
A mão não acompanhar o pensamento é uma pena
A vida vai voluntariamente como o vento
Vicissitudes vorazes voam velozmente
E a mão é uma, mesmo sendo duas
E da caneta é refém eternamente.
21/06/2006
Buscando a fala que não se cala
Mas não se mostra
Querendo entender a ânsia
Que vem de longe
Talvez da infância.
Só sei que a mão destra clama,
Chama e busca o sentido em qualquer brisa
Trazendo do etéreo pra folha lisa
O movimento que no mundo a alma realiza.
A mão não acompanhar o pensamento é uma pena
A vida vai voluntariamente como o vento
Vicissitudes vorazes voam velozmente
E a mão é uma, mesmo sendo duas
E da caneta é refém eternamente.
21/06/2006
Azula-te cinza
Azula-te cinza!
Sei que não tens culpa!
Dessa cor, é iminente as gotas de vida
Que doarás.
O que seria do mundo com teu só azul?
Deserto, praia, floresta de pedras?
Não sinta-te culpado pela melancolia que me pões.
É esse corpo burro e egoísta
Que não sabe ver no cinza do agora
O anil do amanhã.
De tão importante que és,
Até deuses já lhe habitaram (e ainda habitam).
És estrada de bênçãos e maldições.
Vês os mais sutis pedidos por ti passar.
Se aos outros não prejudicasse,
Nem uma gota sequer,
Pediria a mim fazeres uma coisa;
Nem é só por mim o pedido,
Mas a mim muito ajudaria se aceitasses:
Não cubra-te mais com essa
Cortina cinza,
Mostre-nos sempre tua veste azul
E as cintilantes jóias que te iluminam
29/06/2006
Sei que não tens culpa!
Dessa cor, é iminente as gotas de vida
Que doarás.
O que seria do mundo com teu só azul?
Deserto, praia, floresta de pedras?
Não sinta-te culpado pela melancolia que me pões.
É esse corpo burro e egoísta
Que não sabe ver no cinza do agora
O anil do amanhã.
De tão importante que és,
Até deuses já lhe habitaram (e ainda habitam).
És estrada de bênçãos e maldições.
Vês os mais sutis pedidos por ti passar.
Se aos outros não prejudicasse,
Nem uma gota sequer,
Pediria a mim fazeres uma coisa;
Nem é só por mim o pedido,
Mas a mim muito ajudaria se aceitasses:
Não cubra-te mais com essa
Cortina cinza,
Mostre-nos sempre tua veste azul
E as cintilantes jóias que te iluminam
29/06/2006
Amigos
Amigos
É triste perceber que todos fogem.
O que os faz fugir?
Nada dou a eles,
Finjo que não existem.
Por que eu haveria de
Existir para eles?
O que não enxergo?
Será minha incapacidade de me apegar?
Todos se foram,
Nada restou,
Só minha auto-suficiência
Estúpida e mentirosa.
Nem uma porta abre aos pleiteantes.
De onde viria a palavra do alheio,
A empatia oniricamente desejada?
Quero crer que esse fogo só me arde
Cá,
Que em meu berço jamais existirá
Essa dúvida animicamente mortal.
Mortal e suicida,
Caso seja real.
19/04/2004.
É triste perceber que todos fogem.
O que os faz fugir?
Nada dou a eles,
Finjo que não existem.
Por que eu haveria de
Existir para eles?
O que não enxergo?
Será minha incapacidade de me apegar?
Todos se foram,
Nada restou,
Só minha auto-suficiência
Estúpida e mentirosa.
Nem uma porta abre aos pleiteantes.
De onde viria a palavra do alheio,
A empatia oniricamente desejada?
Quero crer que esse fogo só me arde
Cá,
Que em meu berço jamais existirá
Essa dúvida animicamente mortal.
Mortal e suicida,
Caso seja real.
19/04/2004.
À busca do infinito
À busca do Infinito
O acaso parece que caiu
Restou somente as relações necessárias
À transcendência.
Nesse caso, a dor e o seu
Inverso andam na direção
Da Unidade da multiplicação
Dos dois anteriores.
Nada que parece ruim o é necessariamente
E nada do que apresenta-se como bom,
Acalenta todos os corações.
Vamos multiplicando
Que um dia o infinito aparece
E aí não teremos mais do que reclamar.
27/10/2007
O acaso parece que caiu
Restou somente as relações necessárias
À transcendência.
Nesse caso, a dor e o seu
Inverso andam na direção
Da Unidade da multiplicação
Dos dois anteriores.
Nada que parece ruim o é necessariamente
E nada do que apresenta-se como bom,
Acalenta todos os corações.
Vamos multiplicando
Que um dia o infinito aparece
E aí não teremos mais do que reclamar.
27/10/2007
Ser não sendo
Ser não sendo
Passo as manhãs a me procurar
Me acho em poucos instantes
Fico em outro lugar na maior parte do tempo
Mas mesmo assim
Perdido do que sou
Continuo sendo eu
17/11/2008
Passo as manhãs a me procurar
Me acho em poucos instantes
Fico em outro lugar na maior parte do tempo
Mas mesmo assim
Perdido do que sou
Continuo sendo eu
17/11/2008
Meu mundo nas poesias
Passo, agora, a publicar minhas poesias. Tenho entendido essa expressão artística como a forma mais fiel de me comunicar com o mundo - minhas estradas para a realidade são abertas através de poesias - por isso as coloco aqui para me compartilhar com vocês. Esse tópico está nomeado por "Meu Mundo nas Poesias", porque realmente o que quero, quando faço poesias, é colocar nelas o meu mundo, o mundo que percebo, que me rodeia e que eu rodeio.
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