Fluxo
Eras um rio sem quedas, sem curvas.
As margens coloriam-te ao teu passar,
O inverno era quente diante do frio externo.
Eras caudaloso,
Tornava-te um só ao encontro de teus pares.
Cavaram-te, cavou-te,
Curvas surgiram, quedas também.
Como eras água, modelou-te ao imposto;
Não tinhas escolha.
A aurora veio,
O ouro também!
Áurea hora tomou-te o corpo,
Consciência e força também.
As curvas e quedas vias que fazias,
E agora brincavas, entravas nos vales mais vis
E saias pedindo bis.
Enganou-te.
Tornou-te alagado por um tempo.
Tua amplidão era sem fim.
De tão raso, em teu fundo a luz deitava;
De tão largo, noite e dia em ti se encontravam,
Buscavas tudo, todos, nada te bastava.
Ah, meu caro,
‘Inda bem que viste a enrascada que entravas.
O mundo quiseste ganhar,
Mas teus braços inda n’eram mar!
Tormentas violentas,
Águas rolando das encostas,
Paradoxal situação está imposta!
Remove-se teu fundo,
Cresce teu leito,
Volume ganhas,
O caminho agora vem de tuas entranhas!
Quebras rocha, ganhas altura,
Olha de cima e pula quando queres!
A queda agora és linda,
Tu olhas de cima feito a imponente luz
Nem te incomodas se é baixinha ou Iguaçu.
Desces a serra,
Vê já o quanto derramou-te
Sente-te um tolo,
Vês o tempo que passou-te desde o primeiro luar.
No chronus esquece o extenso
E não vês que já és mar.
2007
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
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