segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Linhas minhas

Linhas Minhas

Querendo ou não
O mundo entra nos recônditos de meu ser,
Passeia por entre eles,
Cria novas ruas, paisagens, armas.

Essas novidades vão se fazendo,
Me reescrevendo,
Tornando-me um novo texto,
Cheio de emendas desconexas e
Erros de pontuação...

Cheio de emendas desconexas
Erros de pontuação

Quando alguma coisa indigesta
Entala no sistema que digere o mundo,
Subitamente faz-se em mim um espasmo,
Um soluço ao contrário,
Que vira ao avesso as páginas que em mim redigiram.

Turvadas pela bile anímica
As palavras excretadas
Confundem-se umas com as outras
Na claridade do mundo,
E o tempo precisa ser recronometrado
Para caber nele o meu tempo
De leitura minha.

Letras, palavras, frases...texto quase pronto,
Caneta em punho,
Papel na mesa...
E minha esfinge diária começa a ser decifrada.

Linhas vão-se compondo,
Decodifica-se o estranho torvelinho de
Sensações, Sentimentos, Conclusões...
E ao final forma-se isto,
Este emaranhado de idéias
Que só quem vive num mundo parecido ao meu
Atreve-se a dizer que entendeu!


03/01/2007

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